O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira, por telefone, com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, por cerca de uma hora. Os dois líderes abordaram a controversa proposta do governo dos Estados Unidos de criar o chamado Conselho da Paz, estrutura paralela à Organização das Nações Unidas. O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado em Assunção no dia 17 de janeiro, também foi pauta do telefonema.
A ligação entre Lula e Macron ocorre um dia após o presidente brasileiro ter conversado, também por telefone, com o líder americano, Donald Trump. Na ocasião, Trump reiterou o convite para que o Brasil participe do Conselho da Paz. Lula, que tem feito críticas públicas ao que vê como tentativa de esvaziamento da ONU, respondeu que é preciso que o novo órgão se atenha a discutir a situação em Gaza e que tenha a participação da Autoridade Nacional Palestina.
Segundo nota oficial do Palácio do Planalto ambos defenderam “o fortalecimento das Nações Unidas e coincidiram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU”.
Lula e Macron também “trocaram impressões sobre a situação na Venezuela” e condenaram o uso da força em violação ao direito internacional. Ambos “concordaram a respeito da importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo”, diz a nota.
Sobre o acordo Mercosul-UE, ao qual a França se opõe, Lula voltou a dizer a Macron “sua visão de que o acordo (…) é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comercio baseado em regras”.
Lula e Macron também abordaram temas sobre a cooperação bilateral entre Brasil e França, em especial nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e energia. “A esse respeito, comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026”, diz o documento divulgado pelo Planalto.
O Globo










