Durante décadas, o Porto de Cabedelo foi tratado como um equipamento secundário, subutilizado, degradado e distante do papel estratégico que poderia exercer no desenvolvimento da Paraíba. Era um porto que existia mais no mapa do que na economia real do estado. Essa realidade começou a mudar de forma consistente nos últimos três anos, período em que a Companhia Docas da Paraíba passou a ser conduzida sob uma lógica clara de planejamento, investimento e visão de futuro.
Ao assumir a presidência da Companhia Docas da Paraíba, Ricardo Barbosa encontrou um porto praticamente sem operação, com estruturas interditadas, calado limitado e sem perspectivas concretas de crescimento. O que se viu a partir daí não foi uma maquiagem administrativa, mas uma transformação profunda, estrutural e, sobretudo, estratégica. Um processo que recolocou o Porto de Cabedelo no centro do debate sobre logística, desenvolvimento regional e geração de oportunidades.
Com investimentos superiores a R$ 200 milhões, viabilizados com o apoio do governador João Azevêdo, o Porto passou pela maior obra estruturante de seus 91 anos de existência. A dragagem, que ampliou o calado em dois metros, não é apenas um dado técnico, é uma mudança concreta de patamar operacional. Significa receber embarcações maiores, aumentar a competitividade e inserir a Paraíba de forma mais eficiente nas rotas comerciais.
A requalificação completa dos cinco armazéns antes interditados, as obras de drenagem, a modernização das edificações e a aquisição de novos equipamentos mostram que houve método e continuidade. Soma-se a isso a implantação da primeira usina fotovoltaica do setor portuário público do país, um passo que coloca o Porto de Cabedelo em sintonia com práticas modernas de sustentabilidade e eficiência energética.
Mas talvez o maior mérito da atual gestão esteja em compreender que um porto não pode ser apenas um espaço de cargas e navios. Ele precisa dialogar com a cidade, com as pessoas e com o território em que está inserido. O projeto Porto Cidade simboliza essa virada de chave. O que antes era apenas uma ideia no papel tornou-se uma política concreta de responsabilidade social, governança e sustentabilidade, reconhecida nacionalmente e responsável por milhares de atendimentos à população de Cabedelo.
Esse conjunto de ações revela algo raro na administração pública brasileira: a capacidade de pensar o presente sem perder de vista o futuro. O Porto de Cabedelo hoje não apenas funciona, ele está preparado para crescer. Está estruturado para ampliar sua capacidade operacional, gerar empregos, atrair investimentos e consolidar-se como um verdadeiro vetor de desenvolvimento regional.
A experiência recente do Porto de Cabedelo deixa uma lição clara. Equipamentos públicos abandonados não se recuperam com discursos, mas com gestão técnica, visão estratégica e compromisso político. Quando esses elementos se encontram, o resultado aparece. E, neste caso, aparece em forma de desenvolvimento, orgulho e novas perspectivas para a Paraíba.
Por: Napoleão Soares








