A história política de Márcio Roberto, deputado estadual pelo Republicanos, não começa com um cálculo eleitoral frio, nem com um projeto pessoal desenhado em gabinete. Começa com luto, memória familiar, resistência e uma cena quase sertaneja de tão simbólica: três lideranças batendo à porta de sua casa, em 1990, para convencê-lo a entrar numa campanha que ele não queria abraçar.
No relato feito pelo próprio Márcio, havia ali um homem ainda ferido pela perda do pai, Pedro Eulampio, em 1989, e pela morte do irmão poucos dias depois. Havia também a lembrança dura de uma família que, pela política, tinha conhecido dificuldades, desgastes e sofrimentos. Por isso, a primeira reação dele foi negar. Não queria “negócio com política”. Não queria herdar o peso de uma vida pública que já havia cobrado caro dentro de casa.
Mas a política, às vezes, não chega como ambição. Chega como chamado. E, no caso de Márcio Roberto, chegou pela mão de Ronaldo Cunha Lima, então candidato ao Governo da Paraíba em 1990, acompanhado de Edvaldo Motta e Neto Paixão. A conversa tinha um argumento emocional poderoso: o legado de Pedro Eulampio. Se o pai havia deixado uma história, quem ficaria para representar aquela memória? Quem manteria viva aquela ficha, aquele vínculo, aquela tradição?
Márcio tentou apontar outro caminho. Falou em Odercio Cesário, vice-prefeito de seu pai, homem querido pelo povo simples. Mas ouviu que Odeste não queria. Restava ele. E foi nesse ponto que a política deixou de ser abstração e virou compromisso concreto. Edvaldo Motta prometeu uma ambulância para a fundação do pai de Márcio caso ele votasse em Ronaldo para governador e nele para deputado federal. A promessa foi feita no sábado. Na segunda-feira, segundo o relato de Márcio, a ambulância estava pronta para ser buscada em Patos.
Essa imagem diz muito. Para alguns, pode parecer apenas uma história antiga de campanha. Para quem conhece o interior, sabe que ela revela algo mais profundo: a política como ponte entre necessidade real e resposta concreta. Uma ambulância, naquele contexto, não era objeto de propaganda. Era socorro, era estrada vencida, era vida podendo chegar a tempo. Talvez tenha sido ali que Márcio Roberto compreendeu que a política, quando funciona, não é discurso solto. É entrega palpável.
A partir daí, a trajetória se firmou. Márcio foi prefeito de São Bento por duas vezes, comandando uma cidade marcada pela força produtiva do seu povo e pela economia das redes. Depois chegou à Assembleia Legislativa, onde consolidou mandatos e construiu uma identidade política vinculada ao Sertão, aos pequenos negócios, ao municipalismo e à defesa de uma economia que nasce do trabalho local. Não é por acaso que sua biografia pública aparece ligada à experiência de administrar São Bento e à defesa do crescimento econômico sertanejo.
O personagem político que surge dessa caminhada tem uma marca clara: lealdade. Essa palavra aparece no relato pessoal, na legenda da postagem, nas decisões partidárias e na forma como ele tenta organizar sua narrativa pública. Lealdade ao pai, à família, aos amigos que ficaram, à cidade de origem, ao grupo político e à própria palavra. Num ambiente político em que apoios mudam com facilidade e compromissos muitas vezes duram menos que uma semana, a insistência de Márcio Roberto nesse valor tem peso simbólico.
Também não se pode contar sua trajetória ignorando os momentos difíceis. Márcio foi eleito em 2022, mas enfrentou uma batalha jurídica em torno do registro de candidatura e só tomou posse posteriormente, após decisão que lhe assegurou o direito de assumir o mandato. Esse episódio, longe de ser um rodapé, virou parte da narrativa de resistência política do deputado. Ele ficou fora da cadeira, mas não saiu da cena. Continuou sendo uma liderança com votos, base e presença no tabuleiro paraibano.
Em 2026, ao confirmar permanência no Republicanos, Márcio reforçou outro traço de sua caminhada: a política de grupo. Num momento de janela partidária, sondagens, convites e rearrumações, ele decidiu ficar onde estava, depois de diálogo com Hugo Motta. Essa escolha ajuda a compreender o lugar que ocupa hoje: um deputado sertanejo, experiente, com raiz municipalista e inserido numa legenda que ganhou protagonismo na Paraíba.
Mas a força maior dessa história não está apenas no currículo. Está no ponto de partida. Márcio Roberto não se apresenta como alguém que entrou na política por vaidade. Ele se apresenta como alguém que foi chamado pela memória do pai, pela cobrança dos amigos e pela necessidade de honrar uma palavra. A política dele nasce menos de um palanque e mais de uma conversa de casa, dessas em que o destino muda sem pedir licença.
É por isso que o relato da ambulância continua atual. Porque ele resume uma visão de mundo. Na política real, sobretudo no interior, as pessoas não medem liderança apenas por discursos bonitos. Medem por quem atende, quem volta, quem cumpre, quem não abandona. Foi assim que Márcio Roberto entrou na política. Foi assim que construiu sua trajetória em São Bento e na Assembleia. E é assim que tenta sustentar, décadas depois, a imagem de um homem público guiado por fé, palavra e compromisso.
No fim, falar de Márcio Roberto é falar de uma política que ainda carrega sotaque de interior, devoção a Nossa Senhora Aparecida, gratidão aos que caminharam junto e respeito aos que vieram antes. Uma política de família, de território e de memória. Uma política que começou com dor, ganhou forma numa promessa cumprida e virou trajetória pública.
Num tempo em que tanta gente entra na política prometendo futuro, Márcio Roberto insiste em lembrar de onde veio. E talvez esteja aí a chave de sua permanência: quem sabe contar sua origem, quem sabe honrar sua história e quem sabe reconhecer o valor da palavra dada dificilmente desaparece da vida pública sem deixar marca.
Por: Napoleão soares










