Há gestos na política que cabem em discursos, fotografias e placas de inauguração. Outros não cabem. Transbordam. Foi o que aconteceu em Rio Tinto, durante a visita de João Azevêdo à cidade, quando ele entrou nas casas, abraçou moradores, ouviu agradecimentos e viu de perto o tamanho humano de uma decisão administrativa que mudou a vida de milhares de pessoas.
Rio Tinto viveu, por décadas, uma realidade difícil de explicar para quem olha de fora. Gerações inteiras moraram em casas que ocupavam há 40, 50, 60 anos, mas sem o direito pleno de chamar aquele imóvel de seu. Muitos pagavam aluguel pela casa onde nasceram, onde criaram filhos, onde enterraram pais, onde construíram a própria história. Era uma espécie de prisão silenciosa, um passado que continuava cobrando boleto no presente.
João Azevêdo foi o governador que decidiu enfrentar esse nó histórico. Com a regularização fundiária, a entrega de escrituras e o processo de desprivatização da cidade, ele fez mais do que entregar documentos. Ele entregou pertencimento. Entregou segurança. Entregou dignidade. Entregou ao povo de Rio Tinto o direito de dormir sabendo que ninguém mais poderia tomar aquilo que sempre foi, na prática e no coração, a casa de cada família.
Por isso, a emoção vista nas imagens não é encenação. É memória acumulada. Quando uma moradora recebe João em casa e diz que a residência é humilde, simples, mas de coração, ela não está apenas agradecendo por uma obra. Está dizendo que, enfim, aquela casa deixou de ser favor, deixou de ser incerteza, deixou de ser medo. A resposta de João resume a dimensão do gesto: “E agora é sua”.
Poucas frases têm tanta força política quanto essa. “Agora é sua” significa que o Estado chegou onde precisava chegar. Significa que a caneta do governo serviu para libertar, não para complicar. Significa que uma população inteira, acostumada a esperar por promessas que nunca se cumpriam, viu uma decisão sair do papel e entrar pela porta da frente de suas casas.
Em outra cena, uma idosa chama a casa de “paraíso” e diz que não tem palavras para agradecer. João responde com simplicidade: “Foi a missão nossa”. Essa talvez seja uma das melhores definições do que a política deveria ser. Não espetáculo. Não vaidade. Não promessa sem consequência. Missão. Missão de resolver problemas reais, antigos, difíceis, que muitos preferiram empurrar para depois.
E Rio Tinto sabe disso. A cidade sabe distinguir visita de trabalho. Sabe distinguir discurso de entrega. A gestão de João Azevêdo não ficou marcada apenas pelas escrituras, embora esse seja, sem dúvida, um dos capítulos mais fortes dessa relação. Também ficaram as estradas, a creche, a escola, os investimentos e a presença concreta do Governo do Estado em áreas que impactam a vida cotidiana da população.

Por isso, quando se diz que João foi o governador que mais fez por Rio Tinto, não se trata apenas de uma frase política. Trata-se de uma percepção construída no contato direto com a população e na soma de ações que mudaram a cidade. Nenhuma obra isolada explica essa marca. O que explica é o conjunto: infraestrutura, educação, habitação, segurança jurídica e respeito a uma história que precisava ser reparada.
O caso das casas, porém, tem um peso simbólico maior. Porque casa não é apenas parede, telhado e escritura. Casa é raiz. É o lugar onde a família se reconhece. É onde a vida acontece sem pedir licença. Ao garantir que mais de mil famílias pudessem se tornar donas de suas próprias casas, João Azevêdo não apenas regularizou imóveis. Ele devolveu autoestima a uma cidade inteira.
A fala de um morador, ao lembrar que o pai não teve a honra de receber a casa, mas que ele, como filho, estava agradecido, mostra que a entrega atravessa gerações. Há decisões que chegam tarde para alguns, mas chegam a tempo de reparar a história dos que ficaram. Em Rio Tinto, a escritura não é só de quem recebeu. É também dos pais, dos avós, dos filhos e dos netos que vão herdar uma casa livre do medo.
Esse é o tipo de política que fica. A política que não precisa gritar para ser lembrada, porque mora dentro da vida das pessoas. João saiu de Rio Tinto cercado pelo carinho do povo porque o povo sabe reconhecer quando alguém resolve. E resolver, na política, vale mais do que prometer.
Rio Tinto, por muito tempo conhecida pela marca dolorosa de cidade privatizada, agora carrega outro símbolo. O símbolo de uma cidade que começou a ser devolvida a seus verdadeiros donos: seus moradores. E nesse capítulo da história, o nome de João Azevêdo fica registrado como o governador que tirou o povo do aluguel, enfrentou um problema que atravessava décadas e ajudou Rio Tinto a dizer, enfim, que sua casa é sua.
Por: Napoleão Soares










