A crise política na Câmara Municipal de Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, ganhou um novo e forte capítulo nesta quinta-feira (18). Depois de já ter sido afastado da Presidência da Casa Legislativa, o vereador José Ronaldo Fernandes Chaves, conhecido como Ronaldo do Mel, foi agora afastado também do exercício do mandato parlamentar.
A decisão, em caráter cautelar, foi proferida pela Vara Única de Rio Tinto, no âmbito de uma Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa movida pelo Município de Baía da Traição.
De acordo com a decisão, há indícios de que o parlamentar teria firmado, durante o período eleitoral de 2024, um acordo envolvendo suposta promessa de nomeação para cargo de assessor na Câmara Municipal em troca do recebimento de R$ 20 mil.
O juiz Judson Kildere Nascimento Faheina entendeu que a permanência do vereador no exercício das funções públicas poderia comprometer a produção de provas e a condução regular do processo, especialmente pela influência que o cargo exerce sobre a estrutura administrativa do Legislativo.
Com a nova determinação, Ronaldo do Mel fica afastado por 90 dias tanto da função de presidente quanto do mandato de vereador, permanecendo sem exercer atividades parlamentares durante esse período. A Câmara Municipal deverá cumprir imediatamente a decisão, e o investigado terá prazo para apresentar defesa.
O caso provoca forte impacto político em Baía da Traição porque não se trata apenas de uma disputa interna da Câmara. O episódio expõe uma crise institucional que já vinha se arrastando, com afastamentos, denúncias, tensão entre parlamentares e forte repercussão nos bastidores da cidade.
Apesar da gravidade da decisão, o afastamento é cautelar e não representa condenação definitiva. O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça, com apresentação de defesa, produção de provas e demais etapas do processo.
Na prática, Baía da Traição entra em um momento delicado. A Câmara, que deveria ser espaço de debate, fiscalização e representação popular, passa a conviver com uma crise que mistura disputa política, questionamentos administrativos e agora uma decisão judicial que retira temporariamente Ronaldo do Mel do centro do poder legislativo municipal.
O futuro político do vereador será definido nos autos. Mas, no presente, a decisão já mudou o cenário: a crise deixou de ser apenas parlamentar e passou a ter peso judicial.
Por: Napoleão Soares









