Com a chegada do período junino, cidades de várias regiões da Paraíba começam a se preparar para um dos momentos mais fortes da cultura nordestina. Bandeirinhas, forró, comidas típicas, grandes atrações e praças lotadas fazem parte da tradição. Mas, em ano eleitoral, o Ministério Público Eleitoral (MPE) fez um alerta claro aos gestores: festa pública não deve ser transformada em palanque político.
A recomendação foi encaminhada a prefeitos de 11 municípios paraibanos: Bananeiras, Cabedelo, Campina Grande, Cuité, Esperança, João Pessoa, Patos, Santa Luzia, Santa Rita, Sapé e Sousa. A orientação busca prevenir irregularidades durante eventos financiados ou apoiados com recursos públicos.
De acordo com o MPE, está proibido o uso de palcos, microfones, sistemas de som, telões, locuções oficiais, intervalos de shows e apresentações artísticas para discursos, agradecimentos políticos, autopromoção, divulgação de realizações administrativas, ataques a adversários ou qualquer tipo de pedido de apoio eleitoral, seja direto ou indireto.
A recomendação também chama atenção para publicações em redes sociais, transmissões ao vivo e peças de divulgação que possam vincular os festejos juninos à imagem de gestores, pré-candidatos ou grupos políticos.
A medida tem caráter preventivo e não tira o brilho das festas. Pelo contrário: preserva o São João como patrimônio cultural, espaço de alegria, turismo, geração de renda e valorização das tradições nordestinas.
O recado é simples e necessário: São João é do povo. Eleição tem seu tempo e seu lugar.
Cabe às gestões garantir a festa, organizar a estrutura, movimentar a economia e respeitar as regras eleitorais. Já à população, fica o direito de aproveitar o período junino com tranquilidade, sabendo que os eventos públicos devem servir à cultura, não à disputa política.
Em uma Paraíba onde o São João movimenta cidades inteiras, gera renda e fortalece identidades locais, a recomendação do Ministério Público chega como um lembrete de equilíbrio: o forró pode — e deve — tocar alto. O palanque eleitoral, não.
Por: Napoleão Soares








