A Prefeitura de Sertãozinho entrou no foco do Ministério Público da Paraíba após a abertura de um procedimento para apurar supostas irregularidades na contratação da empresa CONGESP — Consultoria em Planejamento e Gestão Pública Ltda. Segundo informações publicadas pelo Blog do Clilson Júnior, a investigação alcança contratos firmados entre 2020 e 2025 e busca esclarecer se houve contratação sem o devido processo licitatório.
O caso tem peso político e administrativo porque mexe num ponto sensível da gestão pública: a fronteira entre consultoria técnica e dependência estrutural. Quando uma empresa passa anos orbitando setores estratégicos da administração, o debate deixa de ser apenas burocrático e passa a tocar numa pergunta incômoda para qualquer município: houve apoio técnico legítimo ou uma espécie de terceirização informal do coração da máquina pública? Essa é uma leitura jornalística a partir do objeto da apuração noticiado pelo BC1.
De acordo com a publicação, a apuração foi instaurada pela 4ª Promotoria de Justiça de Guarabira e examina a possibilidade de frustração do caráter concorrencial de licitações, hipótese que, em tese, pode apontar para ato de improbidade administrativa. Ainda segundo o blog, o procedimento está em fase inicial, sem conclusão sobre culpa ou ilegalidade, e tanto a Prefeitura de Sertãozinho quanto a empresa citada deverão ter espaço para apresentar esclarecimentos.
O fato, porém, já produz efeito político imediato: liga o sinal de alerta sobre a forma como contratos públicos vêm sendo firmados no município. Em cidades pequenas, onde o controle social costuma ser mais frágil e os vínculos políticos mais próximos, investigações desse tipo costumam ultrapassar o campo jurídico e atingir em cheio a narrativa de gestão. Quando o Ministério Público começa a olhar contratos repetidos ao longo de vários anos, a mensagem que chega à opinião pública é direta: há dúvida suficiente para justificar lupa, cobrança e vigilância.
No resumo da ópera, ainda não há condenação, nem sentença, nem conclusão final. Mas há algo politicamente relevante: Sertãozinho entrou no radar do Ministério Público, e isso, por si só, já muda o ambiente. Porque, em matéria de dinheiro público, a suspeita não é o ponto final — é o começo da cobrança.
Fonte: Blog do Clilson Júnior (BC1)









