O prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), decidiu falar. Em vídeo divulgado na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, o gestor afirmou que recebe com tranquilidade a apuração conduzida pelas autoridades e sustentou que os fatos investigados pela Operação Cítrico não ocorreram durante o período em que esteve à frente da Prefeitura de forma interina. A declaração surge em meio a um dos momentos mais delicados da recente história política do município, marcado por forte abalo institucional e repercussão em toda a Paraíba.
Na gravação, Edvaldo adotou um tom de defesa firme e buscou se dissociar do núcleo central das suspeitas. Segundo ele, “todos os atos investigados” são anteriores à sua passagem pelo comando interino da gestão, razão pela qual afirma não ter participado de qualquer irregularidade. O prefeito afastado também declarou estar com a “consciência tranquila” e disse que permanece à disposição para responder aos questionamentos das autoridades.
Edvaldo afirmou ainda que, desde o primeiro dia em que assumiu a Prefeitura, tentou agir para impedir a presença de grupos criminosos dentro da estrutura administrativa. No vídeo, relatou reuniões com Ministério Público, Judiciário, Polícia Civil e Polícia Militar, além de citar o envio de um projeto de lei antifacção à Câmara Municipal, com o objetivo de barrar contratações de pessoas com ligação ao tráfico de drogas e a organizações criminosas.
A manifestação ocorre depois de ele ter sido afastado cautelarmente no âmbito da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público da Paraíba e a Controladoria-Geral da União. A investigação apura um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível uso de contratos para favorecer estruturas criminosas no município. Segundo a PF, os contratos sob investigação podem alcançar cerca de R$ 270 milhões.
O caso ganhou dimensão ainda maior porque o afastamento ocorreu logo após a eleição suplementar que confirmou Edvaldo nas urnas. Mesmo assim, o TRE-PB esclareceu que a medida não partiu da Justiça Eleitoral e que eventuais efeitos eleitorais, como diplomação, ainda dependerão de análise própria em processo específico. Na prática, a crise continua aberta em duas frentes: a criminal e a política.
Por: Napoleão Soares







