Embora pareça apenas um detalhe estético, estudos científicos vêm investigando há décadas sua possível relação com doença arterial coronariana (entupimento das artérias que levam sangue ao coração).
Importante: não é diagnóstico. É um sinal clínico que pode levantar suspeitas e estimular prevenção.
Como surgiu essa observação?
O sinal foi descrito em 1973 pelo médico Sanders T. Frank, em carta publicada no New England Journal of Medicine. Ele percebeu que muitos pacientes com aterosclerose coronariana (acúmulo de placas de gordura nas artérias do coração) apresentavam essa dobra no lóbulo.
Desde então, pesquisas vêm analisando se essa associação é apenas coincidência ou se representa um marcador biológico real.
O que mostram os estudos?
Pesquisas publicadas na revista Circulation e discutidas em diretrizes da American Heart Association e da European Society of Cardiology apontam que:
- Pessoas com o sinal de Frank apresentam maior prevalência de doença arterial coronariana (estreitamento das artérias do coração).
- A associação é mais consistente quando a prega está presente em ambos os lóbulos.
- Pode haver correlação com aterosclerose sistêmica (doença das artérias em diferentes regiões do corpo).
Possível explicação biológica
A hipótese mais aceita é que a prega reflita alterações na microcirculação (pequenos vasos sanguíneos) e na elasticidade do tecido conjuntivo (estrutura que dá sustentação à pele), processos que também ocorrem nas artérias coronárias.
Ainda não há consenso definitivo. Porém, há evidência suficiente para que o achado seja considerado um possível marcador clínico de risco cardiovascular.

O que o Sinal de Frank NÃO significa
- Não é diagnóstico de infarto.
- Não indica que exista obstrução obrigatória.
- Não substitui exames cardiológicos.
Ele deve ser analisado dentro do contexto geral do paciente, especialmente se houver:
- •Hipertensão (pressão alta)
- •Diabetes
- •Dislipidemia (colesterol alterado)
- •Tabagismo
- •Sedentarismo
- •História familiar de doença cardíaca
Tenho essa dobra. O que devo fazer?
Não é motivo para pânico. É motivo para prevenção.
1. Faça avaliação cardiológica
Consulta clínica com cálculo de risco cardiovascular global.
2. Realize exames básicos
- Pressão arterial
- Glicemia (açúcar no sangue)
- Perfil lipídico (colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos)
3. Avalie necessidade de exames complementares
Dependendo do seu perfil:
- Teste ergométrico (teste de esforço)
- Ecocardiograma (ultrassom do coração)
- Escore de cálcio coronariano (tomografia que detecta placas calcificadas nas artérias)
4. Invista no que realmente protege o coração
A melhor estratégia continua sendo o controle dos fatores modificáveis:
- Praticar atividade física regular (ao menos 150 minutos semanais).
- Alimentação equilibrada (rica em vegetais, frutas, fibras e gorduras boas).
- Manter peso adequado.
- Dormir bem.
- Controlar estresse crônico.
- Não fumar.
Reflexão final
A medicina moderna dispõe de exames sofisticados, mas o exame físico continua sendo ferramenta valiosa. Às vezes, o corpo oferece pistas silenciosas.
O Sinal de Frank não é sentença. É, no máximo, um convite à vigilância consciente e à prevenção inteligente.
Cuidar do coração é sempre uma decisão sábia.
Referências científicas selecionadas
Frank ST. Aural sign of coronary-artery disease. N Engl J Med. 1973.
Estudos observacionais publicados em Circulation.
Diretrizes de prevenção cardiovascular da American Heart Association (AHA).
Guidelines de prevenção cardiovascular da European Society of Cardiology (ESC).
Dr. Valério Vasconcelos
Médico Cardiologista | Pesquisador | Escritor
PhD em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP)









