O ministro Dias Toffoli deixou ontem a relatoria do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A saída foi anunciada após uma reunião convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, com os ministros para apresentar o relatório da Polícia Federal (PF) a respeito dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento está sob sigilo, mas há menções a Toffoli em mensagens no aparelho.
Ainda ontem, mais cedo, Toffoli admitiu em nota ser sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, a um fundo de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Apenas os nomes dos irmãos do ministro, José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli, aparecem como executivos nos registros da Maridt.
Segundo o registro da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a Maridt Participações foi criada em outubro de 2020 e tem como sede uma casa em Marília (SP), onde vive José Eugênio Dias Toffoli, um dos irmãos do ministro Dias Toffoli.
Por se tratar de uma sociedade anônima de capital fechado, porém, há a possibilidade de haver acionistas que recebem dividendos e não aparecem nos registros porque não são administradores do negócio.
Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que “nunca recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”. O ministro alega que só se tornou relator do caso Master quando a Maridt, da qual é sócio, não fazia mais parte do grupo implicado na investigação. E que apenas recebe dividendos da empresa familiar, sem exercer funções de gestão, o que frisa ser permitido pela Lei Orgânica da Magistratura.
Como a empresa Maridt se conecta ao Banco Master?
Até 21 de fevereiro de 2025, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro. A saída do grupo ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e pertencente a Zettel.
O Arleen, na ocasião, comprou metade da participação dos irmãos de Toffoli no resort, avaliada em torno de R$ 6,6 milhões. Com a transação, o fundo ligado a Zettel tornou-se o principal sócio da Maridt no empreendimento.
A segunda etapa ocorreu em 21 de fevereiro de 2025, quando o saldo remanescente foi alienado à empresa PHD Holding. De acordo com a nota do ministro, todas as operações foram realizadas a valor de mercado.
Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo mostraram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master.
O que diz Toffoli em sua defesa?
- Lei Orgânica da Magistratura: A nota do gabinete de Toffoli afirma que ele “integra o quadro societário” da Maridt, que é “uma empresa familiar administrada por parentes do ministro”. A nota diz ainda que a Lei Orgânica da Magistratura permite que o magistrado integre quadros societários de empresas e receba delas dividendos, sendo vedado apenas “praticar atos de gestão na qualidade de administrador”.
- Valores recebidos: Toffoli diz que recebeu “apenas dividendos” da Maridt e que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
- Relatoria do caso Master: A nota de Toffoli diz ainda que “a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro”
O Globo







