O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, tratou de esvaziar o clima de tensão em torno de seu posicionamento para 2026 e negou, nesta quinta-feira (29), que esteja sofrendo qualquer tipo de pressão para declarar apoio à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ao Governo da Paraíba.
Em entrevista à Rádio Correio 98 FM, Bruno foi direto ao ponto: disse que, no seu agrupamento, não há imposição nem intransigência, e que o debate sobre cenários é parte natural do jogo.
“Eu não vejo, não existe… qualquer tipo de pressão, qualquer tipo de intransigência por parte de quem quer que seja. Muito pelo contrário, tem sim muita liberdade… política se faz assim”, afirmou.
A fala vem em meio a especulações que ganharam força nos bastidores e nas redes, especialmente às vésperas do anúncio do PSD em favor do projeto de Cícero. Para Bruno, o principal risco do momento é transformar rumor em “verdade” por repetição — e ele fez questão de marcar essa linha.
“A política é especulativa… mas a gente não pode dar lugar a isso e tratar a especulação como fato”, reforçou.
PSD em movimento, Pedro no radar
Bruno também comentou, sem críticas, as movimentações do PSD e do ex-deputado Pedro Cunha Lima, destacando que decisões partidárias são legítimas e fazem parte do processo democrático. No tom, evitou confronto e preferiu a rota institucional: cada um faz suas escolhas, dentro do seu espaço político, sem “cabresto” e sem decreto.
“Não vejo problema algum de Pedro, o PSD, fazerem opções políticas… O processo democrático não é e nunca será… uma imposição.”
Recado cifrado para 2026: agora é cada um no seu tempo
Ao reconhecer que divergências podem aparecer ao longo da caminhada, Bruno lançou um recado que, na prática, preserva pontes: pode não dar para “todo mundo no mesmo palanque” na largada, mas há chance de convergência no segundo turno.
“Em um determinado momento, talvez não seja possível estar todo mundo em um mesmo palanque… possivelmente, juntos num segundo turno.”
Leitura política
No contexto pré-eleitoral, a declaração de Bruno cumpre duas funções claras: desarma a narrativa de pressão e, ao mesmo tempo, ganha tempo sem fechar portas — especialmente num tabuleiro em que o PSD deve oficializar apoio a Cícero e cresce a expectativa sobre Pedro Cunha Lima como possível nome para a vice.
Em outras palavras: Bruno não compra briga, não assina cheque em branco e mantém o discurso de “liberdade” como senha para seguir negociando — no tempo dele e no ritmo do grupo.
Por: Napoleão Soares










