O prefeito de Mataraca, Eymard Pedrosa, resolveu antecipar o jogo e deixar claro — em público e no calor de um evento tradicional — que 2026 já tem desenho político fechado no Litoral Norte. Durante as festividades de São Sebastião, o gestor, que está no primeiro mandato, anunciou o que chamou de “chapa completa”, cravando apoios do Governo ao Congresso e colocando Mataraca no mapa das articulações que começam na base, na rua e no calendário religioso do interior.
Na prática, Pedrosa transformou a festa em palco de sinalização política: para o Governo, Lucas Ribeiro aparece como o nome da preferência do grupo; para o Senado, o prefeito aponta uma composição com João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo; na disputa proporcional, define Maria Porto para deputada estadual e Gervásio Maia para deputado federal. É o tipo de anúncio que tem uma leitura clara: o prefeito quer unidade, quer palanque montado cedo e quer evitar ruído dentro do próprio time.
A movimentação tem peso porque Mataraca, apesar de pequena, ocupa uma posição estratégica no tabuleiro do Litoral Norte paraibano — região onde “apoio de prefeitura” costuma ser sinônimo de capilaridade, agenda e presença territorial. Quando um gestor fecha a lista com antecedência, ele envia recado para três públicos ao mesmo tempo: para os aliados, de que haverá direção; para os adversários, de que a disputa não será improvisada; e para os pré-candidatos, de que a cidade está “reservada” politicamente e com compromissos firmados.
O anúncio também revela um estilo de gestão política: Eymard tenta converter a força simbólica de um evento popular — fé, tradição e grande circulação de gente — em um ato de posicionamento. Em ano pré-eleitoral, isso vale ouro: é quando a política começa a disputar narrativas, formar alianças e “carimbar” apoios antes que a pressão dos bastidores mude o rumo.
Do ponto de vista institucional, o prefeito ainda destaca que o alinhamento é pensado para trazer resultados concretos para o município. A mensagem por trás da foto e do palanque é simples: “apoio tem que virar obra, ação e presença”. É nessa régua que o eleitor tende a medir a eficácia de uma chapa fechada: não pelo anúncio em si, mas pelo que ela entrega — especialmente em áreas como infraestrutura, saúde, abastecimento e mobilidade, temas sensíveis no Litoral Norte.
A leitura política é direta: Mataraca entrou de vez no clima de 2026, e Eymard Pedrosa não quer ser apenas espectador. Ao lançar sua “chapa completa”, ele se coloca como articulador regional, organiza o campo local e tenta ganhar tempo — porque, em política, quem define cedo costuma obrigar os outros a reagirem.
Por: Napoleão Soares










