O Rio Grande do Norte caminha para um cenário raro e politicamente explosivo: o vice-governador Walter Alves (MDB) decidiu renunciar e, com isso, não pretende assumir o Governo do Estado quando a governadora Fátima Bezerra (PT) deixar o cargo em abril para disputar as eleições de 2026. O resultado prático é direto: com a possível vacância no topo da chapa, a Assembleia Legislativa deverá realizar uma eleição indireta para escolher um governador e um vice “tampões”, responsáveis por conduzir o Estado até 5 de janeiro de 2027.
A lógica por trás da renúncia: 2026 no foco
Nos bastidores, a justificativa é eleitoral. Walter comunicou ao comando nacional do MDB que pretende disputar mandato de deputado estadual em 2026, o que o levaria a deixar o posto de vice (e, consequentemente, evitar a posse como governador). Ele próprio informou que fará o anúncio oficial da decisão na próxima semana.
A decisão foi relatada como comunicada na quarta-feira (7) ao presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
MDB “segura” Walter no comando do partido, mesmo com a renúncia
No mesmo movimento político, a direção nacional do MDB prorrogou o mandato de Walter Alves como presidente estadual do partido no RN. Pela definição divulgada pelo próprio MDB, ele segue no comando até março de 2027 — um sinal de que, mesmo fora do Executivo, Walter continua peça central na engrenagem partidária.
Por que isso é grande: a Assembleia vira a “urna”
Se Fátima renunciar e Walter não assumir, o Estado entra num rito em que o plenário da Assembleia Legislativa passa a ser o caminho para formar um governo provisório. Não é apenas um detalhe jurídico: é uma mudança de centro de gravidade do poder, com a política deixando o Palácio e indo para o colégio eleitoral dos deputados — onde pesam alianças, acordos e blocos.
E, como toda eleição indireta, o debate deixa de ser “quem tem mais voto” e passa a ser “quem tem mais composição”.
O efeito colateral: mexe no tabuleiro PT–MDB e em 2026
A renúncia do vice também alimenta leitura política sobre o futuro da aliança PT–MDB no Estado e sobre como o grupo governista vai desenhar o palanque de 2026, com impactos diretos na disputa majoritária e no equilíbrio das forças locais.
No RN, abril pode não ser apenas uma data de troca. Pode ser a largada de um novo jogo — com regras mais duras, mais negociações e um governo “tampão” escolhido no voto indireto.
Da Redação – blogchicosoares.com








