Em um tempo em que muita gente só é fiel enquanto o poder está de pé, Fábio Tyrone fez o caminho inverso: decidiu ficar. Mesmo com a janela partidária escancarando dúvidas, cálculos e saídas, o ex-prefeito de Sousa foi público, direto e firme ao reafirmar que permanece no PSB e alinhado ao projeto político de João Azevêdo.
E é justamente por isso que seu gesto ganha tamanho. Porque lealdade de verdade não se mede na bonança, mas na hora da pressão. João Azevêdo deixou o governo para disputar o Senado e passou a priorizar a reorganização das nominatas estadual e federal do PSB, num momento em que o partido sofreu baixas e precisou se recompor. Nesse ambiente, permanecer deixou de ser um detalhe e passou a ser uma mensagem.
Tyrone não ficou por falta de opção. Ao contrário: ao reafirmar publicamente que não sairia do partido, mesmo reconhecendo respeito por outras legendas do campo aliado, ele escolheu um ativo cada vez mais raro na política — palavra com consequência. Num cenário em que muitos se aproximam do poder, mas poucos suportam o ônus de caminhar com ele quando o vento muda, sua decisão carrega peso político e simbólico.
Há gestos que valem mais do que um discurso inteiro. O de Tyrone é um desses. Não agride ninguém, não aponta o dedo para ninguém, mas diz muito. Diz que ainda existe quem trate aliança como compromisso, e não como aluguel. Diz que ainda existe quem enxergue partido como trincheira, e não como balcão. E diz, sobretudo, que na política paraibana a fidelidade ainda pode causar desconforto — exatamente porque anda em falta.
No fim, a permanência de Tyrone no PSB tem um efeito silencioso, mas forte: recoloca caráter no centro da conversa. Em tempos de amizade com prazo de validade e convicções que mudam conforme a conveniência, sua escolha vira recado. Sem grito, sem excesso, sem precisar citar ninguém. Mas com peso suficiente para todo mundo entender.
Por: Napoleão Soares









