Ricardo retornará à Universidade após deixar o governo do Estado

Após 26 anos consecutivos exercendo mandatos, o governador Ricardo Coutinho (PSB) ficará sem poder dentro de 134 dias ao deixar o Palácio da Redenção e desocupar a Granja Santana, residência oficial dos governantes na Paraíba. A colunista Lena Guimarães, do “Correio da Paraíba”, lembra que o chefe do Executivo já garantiu publicamente que ao encerrar sua passagem pelo governo retornará à Universidade Federal da Paraíba, de cujos quadros está licenciado desde 1998. Estará com 58 anos, a serem completados no dia 18 de novembro.

Isto não significará, porém, que Ricardo Coutinho vá deixar a atividade política, que começou a percorrer em 1992 quando se elegeu vereador em João Pessoa. A sua provável pré-candidatura a prefeito de João Pessoa já está lançada com antecedência. Ele foi eleito prefeito da Capital, onde nasceu, em duas ocasiões – em 2004 e 2008. Interrompeu o segundo mandato, deixando no exercício o então vice Luciano Agra, para disputar o governo do Estado em 2010, tendo sido eleito na disputa contra José Maranhão, do então PMDB, com o apoio de Cássio Cunha Lima, do PSDB. Em 2014, Ricardo aliou-se a José Maranhão para derrotar Cássio Cunha Lima.

Ricardo Coutinho já disputou 10 eleições – perdeu duas e ganhou oito. Vai contabilizar 14 anos em cargos executivos, de prefeito e governador, nos quais se faz alguns amigos e muitos inimigos, como observa a jornalista Lena Guimarães. A sua trajetória política é contada a partir de 1990, quando tentou ser deputado estadual e perdeu. Era filiado ao Partido dos Trabalhadores e conseguiu apenas 1.934 votos. Dois anos depois, conseguiu se eleger vereador de João Pessoa. Em 1994 tentou novamente chegar à Assembleia e mais uma vez foi derrotado, obtendo apenas 6.353 sufrágios. Em 98, candidatou-se novamente a deputado estadual, obtendo em toda a Paraíba 25.388 votos e sendo o mais votado em João Pessoa. Na Assembleia, presidiu a Comissão de Saúde por dois mandatos. Sua votação cresceu em 2002, quando obteve 47.912 votos. Em 2003, deixou o Partido dos Trabalhadores por divergências e por ter sido preterido como candidato a prefeito da Capital. Ingressou no PSB, tornando-se presidente estadual. Em 2004, foi eleito prefeito em primeiro turno com 215.649 votos. Em 2008, foi reeleito, também em primeiro turno, com 262.041 votos.

Pessoalmente não vinculado a oligarquias políticas, Ricardo Coutinho inovou no estilo e na forma ao ascender ao governo do Estado em 2011. Surpreendeu no anúncio do secretariado, mesclando nomes técnicos sem tradição política com políticos derrotados nas urnas ou sem votos. O processo de divulgação dos nomes dos auxiliares ocorreu através do Twitter, sinalizando a conexão de Ricardo com as redes sociais interativas. Tomava posse, em janeiro, o primeiro governador da era digital. A adoção do Orçamento Democrático foi considerada um avanço inquestionável da Era Ricardo Coutinho. Este ano, o governador decidiu permanecer no exercício do cargo até o último dia do mandato, sem disputar o mandato de senador, como era aguardado pelos aliados e adversários. Alegou que iria ficar para concluir projetos encaminhados ou em andamento e para evitar que aventureiros tentassem tomar o poder. Chegou a se atritar com a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT), que tentou ser candidata ao governo do Estado com seu apoio. Ricardo acusou Lígia e o marido, o deputado Damião Feliciano, de tentarem montar um governo paralelo no Estado. E lançou oficialmente a candidatura do secretário de Infraestrutura, João Azevedo, à sua sucessão.

Neófito em política, Azevedo é um técnico de qualificação reconhecida mas jamais havia disputado mandatos. Surpreendendo aos analistas políticos, Ricardo recompôs-se com o grupo da vice-governadora Lígia Feliciano, e ela é novamente candidata a vice, na chapa de Azevedo. O governador reaproximou-se do PT, passando a ser defensor irrestrito dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Além de Azevedo e Lígia, a chapa oficial apoiada por Ricardo conta com as presenças de Veneziano Vital do Rêgo (PSB) e Luiz Couto (PT) como candidatos ao Senado.

 

Os Guedes



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