Reeleição de Maia a presidente da Câmara enfrenta resistências

O peso do DEM na montagem do governo de Jair Bolsonaro e a distância regulamentar que o presidente eleito vem mantendo do deputado Rodrigo Maia (RJ) têm estimulado aliados do PSL a desafiar o favoritismo do atual presidente da Câmara na tentativa de se reeleger ao cargo. A cada semana cresce a relação dos rivais de Rodrigo. Já são sete os nomes atuando nas articulações de bastidores: João Campos (PRB-GO), Alceu Moreira (MDB-RS), Capitão Augusto (PR-SP), Giacobo (PR-PR), Fábio Ramalho (MDB-MG),JHC (PSL-AL) e Delegado Waldir (PSL-GO).

As versões indicam que o presidente eleito seria simpático a Alceu Moreira, João Campos e Capitão Augusto, respectivamente, líderes das bancadas ruralista, evangélica e de segurança. Aliados do atual presidente afirmam que os oponentes, por enquanto, não constituiriam ameaça à sua vantagem e apostam que eles não conseguirão aglutinar apoios fora de seus próprios nichos. No entanto, Rodrigo Maia está em alerta e pretende oferecer um jantar para cerca de 40 deputados novatos na próxima terça-feira, com isto dando o pontapé oficial de sua campanha.

O atual presidente da Câmara, que tem evitado conceder entrevistas a respeito do processo, está fora da lista dos preferidos mas também não é hostil ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Rodrigo apoia a agenda econômica do futuro ministro Paulo Guedes e promete suporte à votação da reforma da Previdência. O bom trânsito de Maia com setores da esquerda, como PT e PCdoB, todavia, desperta desconfianças entre os bolsonaristas. Filho do presidente eleito, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) já deixou claro que, na sua visão, o próximo presidente da Câmara tem que “tratorar” a oposição.

– O Rodrigo não é o preferido pelo PSL nem pela oposição, mas é o único que é aceito por ambos. Essa capacidade de diálogo faz diferença no parlamento. Para o governo, interessa ter uma pessoa que conversa com todos”, afirma o deputado federal Efraim Filho, do DEM-PB, ex-líder do partido na Câmara. Para João Campos, a principal fragilidade de Maia é que o DEM tem dois ministros confirmados no futuro governo – OnyxLorenzoni, da Casa Civil, e Tereza Cristina, da Agricultura, podendo emplacar ainda Luiz Henrique Mandetta na Saúde. Para Campos, pesará o receio dos outros partidos de fortalecer o DEM. Bolsonaro disse que não quer interferir nas eleições na Mesa, mas na última semana deu a Maia o recado de que há “outros candidatos muito bons”.

Os Guedes



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