O ex-deputado federal Pedro Cunha Lima retirou do calendário o evento previsto para o dia 15, que marcaria publicamente o anúncio de apoio à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao Governo da Paraíba. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo nas redes sociais, em tom de cautela estratégica: o diálogo segue, mas sem data cravada. “Não vai ter o evento dia 15. Alguns pontos ainda estão em construção”, resumiu.
Na prática, o recuo não significa rompimento — significa controle de tempo. À frente do PSD no estado, Pedro reposicionou a narrativa: depois de ter recuado da disputa pelo Executivo, o partido passou a operar com prioridade absoluta na montagem da chapa proporcional. O recado, segundo ele, veio de cima. “Existe uma missão confiada por Kassab. A prioridade do PSD passou a ser a eleição de deputados”, afirmou, ancorando a estratégia na orientação do presidente nacional da sigla.
O movimento tem leitura clara nos bastidores: antes do palanque, a matemática. O PSD quer chegar forte à Assembleia e à Câmara Federal, e qualquer anúncio majoritário passa, agora, pela equação de nominata, alianças, espaços e compromissos — o tipo de negociação que não se encerra em uma data, mas em garantias.
Pedro confirmou que mantém conversas com Cícero Lucena e também com o senador Efraim Filho, pré-candidato ao Governo pelo União Brasil. Mas, ao abrir o jogo, indicou que o diálogo com o prefeito da Capital está mais maduro. “Tenho conversado com Cícero e com Efraim, mas Cícero tem uma sinalização mais clara nesse sentido, inclusive com nomes para deputado”, declarou.
Ou seja: o “dia 15” caiu, mas o tabuleiro segue montado e o PSD quer entrar nele com poder real, traduzido em bancada e capilaridade. Pedro finalizou deixando no ar a senha que a política conhece bem: o anúncio vem, só não será no tempo da ansiedade. Será no tempo da costura. E, hoje, pelas sinalizações, a agulha parece passar mais perto de Cícero.
Por: Napoleão Soares










