A pré-campanha ao Governo da Paraíba ganhou um ingrediente raro e público — neste fim de semana: a palavra “reciprocidade” virou senha para uma possível convergência de segundo turno entre Efraim Filho e Cícero Lucena, dois nomes do campo oposicionista que disputam o protagonismo de 2026.
O primeiro movimento partiu de Efraim, durante encontro político em sua residência, em Cabedelo, reunindo lideranças e aliados. Questionado sobre a hipótese de apoiar Cícero num eventual 2º turno, o senador foi direto: “Se o compromisso for recíproco, essa possibilidade existe”, condicionando qualquer gesto à clareza de que, se ele for ao segundo turno, espera o apoio de volta.
Horas depois, no Vale do Mamanguape, a bola voltou pelo outro lado. Em Itapororoca, em entrevista ao jornalista Napoleão Soares, Cícero reagiu no mesmo tom: disse que fica agradecido pelas declarações, reconheceu que há candidaturas legítimas no campo oposicionista e avaliou que, se um dos dois não avançar, a convergência “tende a ser natural”, por compartilharem um propósito de projeto para o estado.
O pano de fundo é claro: a oposição tenta organizar o tabuleiro diante do grupo hoje no comando do estado, liderado pelo governador João Azevêdo (PSB), enquanto o vice-governador Lucas Ribeiro é tratado por aliados como nome da continuidade para 2026.
Na prática, Efraim e Cícero deixam uma mensagem dupla: mantêm o primeiro turno como arena de afirmação, mas já constroem uma “ponte” para o segundo. Em um cenário com mais de um nome competitivo, o aceno público reduz o custo político de um entendimento futuro e coloca a confiança (e a reciprocidade) como preço declarado na mesa.
Por: Napoleão Soares








