Em um dos momentos mais emocionantes e marcantes da história recente do município, uma multidão tomou as ruas nesta quinta-feira (25) para se despedir de Adriano Martins, presidente da Câmara Municipal. O clima era de dor profunda, lágrimas e silêncio respeitoso, uma comoção coletiva que traduziu a dimensão humana, política e social de um líder que partiu cedo demais, aos 45 anos.
O sepultamento ocorreu no fim da manhã, no Cemitério Nossa Senhora da Boa Morte, após o velório realizado na Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, na Avenida Liberdade. O caixão, coberto com a bandeira do município, recebeu inúmeras coroas de flores enviadas por autoridades, instituições, amigos e populares, um retrato fiel do respeito que Adriano construiu ao longo de sua trajetória.
Vereadores, ex-prefeitos, representantes do Governo do Estado, lideranças comunitárias e políticas de diferentes correntes estiveram presentes. Muitos não conseguiram conter a emoção. O choro era coletivo. A dor, compartilhada. Nas calçadas, moradores acompanhavam em silêncio; alguns rezavam, outros apenas choravam. Bayeux se despedia de um dos seus principais líderes.
Adriano Martins vivia um dos momentos mais importantes de sua caminhada política. Presidente da Câmara Municipal, também exercia a presidência do Partido Republicanosem Bayeux, consolidando-se como um forte articulador político da cidade. Reconhecido pelo diálogo, pela capacidade de unir posições diferentes e pela habilidade de construir consensos, era respeitado inclusive por adversários políticos.
“Era um político diferenciado, querido até por quem fazia oposição”, disse o irmão, Jonatas Martins, visivelmente emocionado, uma frase que ecoou entre os presentes e resumiu o sentimento coletivo.
Com uma trajetória marcada pelo serviço público, Adriano estava em seu segundo mandato como vereador. Já havia sido vice-prefeito, prefeito interino e secretário municipal, sempre com atuação firme e próxima da população. Seu amor por Bayeux era evidente, especialmente pelo bairro Rio do Meio, onde mantinha laços profundos e projetos sociais constantes.
A morte de Adriano ocorreu após complicações decorrentes de um acidente com um veículo do tipo UTV, no último dia 11 de dezembro. Ele chegou a ser internado no Hospital de Trauma de João Pessoa, passou por cirurgia, mas não resistiu. A família classificou o ocorrido como “uma fatalidade imensa”.
Em respeito à memória do parlamentar, a Prefeitura de Bayeux decretou luto oficial de três dias e destacou, em nota, sua “contribuição significativa para o desenvolvimento político e social do município”.
Adriano Martins deixa três filhas e um legado que ultrapassa mandatos e cargos. A família anunciou que dará continuidade aos projetos sociais idealizados por ele, entre eles a tradicional distribuição de cestas básicas no fim do ano, uma marca do seu compromisso com quem mais precisava.
Bayeux chorou, abraçou-se e prestou seu último tributo. Entre lágrimas, aplausos e orações, a cidade reconheceu a força de um homem que fez da política um instrumento de cuidado, diálogo e amor pelo povo. Adriano parte, mas sua história permanece viva na memória, nas ruas e no coração de Bayeux.

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