Volks reconhece apoio à ditadura sob protestos de ex-perseguidos

Montadora encomendou relatório independente a pesquisador alemão, que concluiu que montadora foi “irrestritamente leal ao governo militar”
DITADURA MILITAR; GOLPE DE 1964

Seguranças da montadora monitoravam atividades de oposição dos empregados e facilitou a prisão de pelo menos sete deles (Agência o Globo)

Volkswagen do Brasil reconheceu nesta quinta-feira, 14, que deu apoio ao governo militar e que houve repressão a funcionários dentro da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na tentativa de se reconciliar com o passado, a montadora inaugurou uma placa em memória a todas as vítimas da ditadura e anunciou financiamentos a projetos sociais.

A placa inaugurada na ala da fábrica onde jovens frequentam cursos de formação traz a frase “Em memória a todas as vítimas da ditadura militar no Brasil. Pelos direitos humanos, democracia, tolerância e humanidade”.

As ações, porém, não agradaram ao grupo de ex-trabalhadores que participa de investigação conduzida desde 2015 pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre o envolvimento da montadora na ditadura militar. “O que a Volkswagen quer fazer é varrer a sujeira para debaixo do tapete”, disse Lúcio Bellentani, espancado pela polícia política dentro da fábrica quando tinha 28 anos e era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

“É apenas uma ação de marketing, pois até agora a empresa não fez pedido formal de desculpas à sociedade brasileira e não participou do inquérito do MPF”, completou Sebastião Neto, que coordenou o grupo de trabalho sobre a repressão a trabalhadores e ao movimento sindical da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Da Redação com Veja



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