Por que a Coreia do Norte é tão fechada?

Para garantir o controle total sobre o país, o regime da família Kim distribuiu mentiras ao longo dos anos, escondendo até que os americanos visitaram a Lua
Soldados na frente de fotos de Kim Il-sung (esquerda), fundador da Coreia do Norte, e o último líder do país, Kim Jong-il, durante parada militar pelo centenário de nascimento de Kim Il-sung em Pyongyang

Soldados na frente de fotos de Kim Il-sung (esquerda), fundador da Coreia do Norte, e o último líder do país, Kim Jong-il, durante parada militar pelo centenário de nascimento de Kim Il-sung em Pyongyang (Bobby Yip/Reuters/VEJA)

Após a Guerra da Coreia (1950-1953), o ditador Kim il-Sung inventou várias mentiras para sedimentar seu poder na Coreia do Norte.

Uma delas foi afirmar que foi a Coreia do Sul e os Estados Unidos que invadiram o Norte, dando origem à batalha que se estendeu por três anos. Ele também omitiu qualquer participação da União Soviética e da China. Toda a vitória foi creditada a ele mesmo e a seus camaradas coreanos.

Na realidade, foi Kim il-Sung que pressionou Stalin, em sucessivos encontros, para que ele o ajudasse a invadir o Sul. O soviético só concordou com a ação porque Kim il-Sung lhe assegurara que os habitantes do Sul celebrariam a invasão e formariam guerrilhas para apoiá-los, o que não ocorreu.

Após a invasão surpresa, em junho de 1950, o Conselho de Segurança da ONU votou por formar uma força, que teve a contribuição de dezessete países, para conter a ofensiva, sob comando americano e bandeira da ONU.

Para fazer suas mentiras colarem, Kim il-Sung fechou completamente o país. A Coreia do Norte tornou-se então uma grande prisão, em que o ditador decide quem pode viajar para o exterior e o que cada um pode assistir ou ler.

O isolamento também impede que sua autoridade seja criticada. “O país tenta bloquear a entrada no país de informações do mundo exterior. Nenhum dos livros escolares conta que o homem pisou na Lua, porque quem fez isso foram os americanos. Nos anos 1990, quando entre 600 000 e 3 milhões de pessoas morreram de fome, a propaganda dizia às pessoas que o mundo inteiro estava no mesmo estado de caos, e que a Coreia do Norte ainda estava melhor que o resto”, diz Greg Scarlatoiu, diretor do Comitê para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, em Washington.

Hoje em dia, apesar da forte repressão da parte do regime, os norte-coreanos têm acesso a filmes americanos e novelas sul-coreanas contrabandeadas para dentro do país em cartões de memória e pen drives. Essa espécie de janela para o mundo é oferecida nos mercados informais e negros que se multiplicaram no país nos últimos anos.

“Existe uma mudança econômica acontecendo, só que ela não está conectada ao mundo externo. Kim Jong-un tenta manter um controle grande sob o tipo de atividade comercial que as pessoas podem realizar. Existem alguns pequenos negócios locais, mas nada muito grande, e a Coreia do Norte não é muito conectada à economia global, parcialmente por escolha própria, e parcialmente por causa das sanções também”, diz Charles Armstrong, diretor do centro de estudos coreanos da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Da Redação com Veja

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