DEM avalia prefeito de SP João Doria em candidatura própria para presidência

Aliado do PSDB desde o primeiro mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), o DEM decidiu que não será mais linha auxiliar dos tucanos na disputa pelo Palácio do Planalto em 2018. Segundo um integrante da sigla, foi com essa premissa que a cúpula do partido desembarcou nesta quinta-feira, 21, em São Paulo para um jantar na casa do prefeito tucano João Dória.

No momento em que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), é o fiador da estabilidade política do governo federal e espera ampliar a bancada de 31 para 50 deputados na Câmara, o DEM passou a ver em Dória um caminho para o protagonismo.

No encontro, segundo relato de participantes, o prefeito se apresentou abertamente como pré-candidato, embora tenha o tempo todo ressaltado o “respeito e a amizade” ao governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político.

 

Também pré-candidato, Alckmin recebeu o DEM em um jantar em julho. Na ocasião, a divulgação de que a reunião seria uma sinalização de apoio ao projeto do governador irritou Maia, que negou publicamente.

Dessa vez, o tom foi outro. “Se essa fosse a decisão do PSDB, e se o DEM não tivesse candidato, qual seria a melhor opção que não apoiar Dória?”, disse o presidente da Câmara a jornalistas antes do jantar.

Em caráter reservado, duas lideranças do DEM que estiveram no jantar fizeram a mesma avaliação: Dória seria no DEM um candidato mais competitivo que Alckmin no PSDB. Por essa análise, o eleitor, hoje, não embarcaria em uma candidatura “burocrática” e “convencional”. Além disso, se apoiar Alckmin, o DEM novamente será coadjuvante.

Quando questionado nesta sexta-feira, 22, por jornalistas sobre o encontro com o DEM, o prefeito de São Paulo desconversou. “Foi um bom jantar. Falamos muito sobre a proteção ao Brasil, agora que a economia começa a se recuperar”, disse.

Além de Maia, também estavam presentes o prefeito de Salvador, ACM Neto, o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB). Quando questionado se ficou feliz com a declaração de Maia, o prefeito respondeu: “Fiquei. Quem não ficaria feliz com uma declaração dessas?” Dória negou, porém, que a sucessão presidencial tenha sido tema do jantar.

Divisão. A aproximação do DEM com Dória não é consenso no partido. Uma ala da sigla prega a manutenção da aliança com os tucanos em 2018 e vê Alckmin como um candidato capaz e mais competitivo. Para o senador José Agripino (RN), presidente do DEM, o jantar de anteontem foi “um mero ato de boa convivência”. “A relação do DEM com o PSDB é muito boa. Não vamos criar indisposição com o PSDB de São Paulo”, afirmou ao Estado.

A “opção” Dória é defendida com entusiasmo por aliados do prefeito de Salvador, ACM Neto, que deve disputar o governo da Bahia em 2018. Esse grupo acredita que Dória teria mais aceitação na região Nordeste que Alckmin. Além do DEM, pelo menos outros quatro partidos teriam sondado o prefeito de São Paulo para 2018. Em entrevista ao Estado no começo do mês, Dória sinalizou que pode deixar o PSDB. “Pretendo continuar, até que alguma circunstância me impeça disso.”

Estadão 

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