Corpo do jornalista Severino Ramos é velado na Assembleia Legislativa

Ocorre na Assembleia Legislativa da Paraíba, na Praça dos Três Poderes, o velório do corpo do renomado jornalista e escritor Severino Ramos, também ex-secretário de Estado e diretor de órgãos de imprensa como “A União” e Rádio Tabajara, além de ex-presidente da Associação Paraibana de Imprensa. Nascido em Santa Rita, Ramos faleceu, ontem, à noite, no Hospital Memorial São Francisco, vítima de complicações que vinham se agravando nos últimos dias e que o levaram a ser internado na UTI. Casado com a psicóloga Lúcia Sá, tinha 79 anos de idade – iria completar 80 anos no dia 19 de agosto próximo.

É a primeira vez que ocorre o velório de um jornalista no Salão Nobre da Assembleia Legislativa e o ato constitui uma homenagem do presidente Gervásio Maia Filho (PSB) ao repórter, colunista e comentarista político que atuou com brilhantismo na imprensa paraibana, sendo um dos mais polemistas expoentes, além de escritor, com inúmeros livros de repercussão, incursionando entre a crônica e a reportagem. Severino Ramos é referência de uma figura talentosa que venceu o preconceito racial e se impôs pela qualidade primorosa dos seus textos. Um dos seus livros, “O Mago de Catolé”, reconstitui, de forma detalhada, a trajetória do ex-governador João Agripino Filho, avô do deputado Gervásio Maia, presidente da ALPB. Uma outra obra de impacto de sua lavra foi “Burity – Esplendor & Tragédia”, narrando a trajetória do ex-governador Tarcísio de Miranda Burity, em cujo governo ocupou a secretaria de Cultura.

Ex-candidato a deputado estadual, Severino Ramos marcou época com o lançamento dos livros “Os Crimes que Abalaram a Paraíba”. Sua iniciação na literatura deu-se, porém, em 1985, com o lançamento de “Arca dos Sonhos”, um itinerário lírico sobre personagens que compunham a vida boêmia de João Pessoa. Escreveu, também, Memórias de Repórter e A verdade de cada um – entrevistas com personalidades de destaque da Paraíba nos diferentes setores de atividade. A vocação para o jornalismo começou cedo. Ele ingressou como repórter do “Correio da Paraíba” aos 17 anos de idade e no próprio jornal de sua estreia ocupou todos os cargos de Redação, de chefe de reportagem a secretário, editor e colunista, durante 14 anos consecutivos. Enfrentou processos judiciais em virtude de comentários e de matérias assinadas que publicou na imprensa local. Denunciou racismo em clube de elite da sociedade local. Era um profissional destemido, que se confrontou com poderosos de plantão, mas tinha interlocutores do nível do ex-ministro José Américo de Almeida e ex-governadores Pedro Gondim, João Agripino, Tarcísio Burity, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão e Ricardo Coutinho.

À época em que assinou a coluna “Linha Direta”, tanto no jornal “O Norte”, como posteriormente no “Correio da Paraíba”, alcançou invejáveis níveis diários de leitura. Comprou polêmicas sobre temas como a contratação de professores universitários de outros Estados para a UFPB, denunciando o que chamou de “invasão de alienígenas”. Escreveu artigos políticos antológicos, um dos quais intitulado “Braga Nunca Mais”, uma referência a derrota enfrentada pelo ex-governador Wilson Leite Braga numa das disputas. Foi correspondente na Paraíba do “Jornal do Brasil” e da “Folha de São Paulo”, e também das revistas “Veja” e “Realidade”, além de ter sido o primeiro diretor da sucursal do jornal “Diário de Pernambuco” em João Pessoa. “O jornalismo, para mim, sempre foi uma vocação; mais do que uma vocação, um impulso, uma vontade incontrolável”, definiu ele numa das inúmeras entrevistas que concedeu. O sepultamento do corpo de Biu Ramos ocorre hoje à tarde no cemitério Parque das Acácias, em João Pessoa.

 

Nonato Guedes



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