Ciro acusa PT de traição e deslealdade ao fechar acordo com o PSB

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) explodiu de raiva e desapontamento, ontem, com a decisão do Partido dos Trabalhadores de se coligar preferencialmente com o PSB em vários Estados nas eleições vindouras. O mínimo que Ciro disse dos petistas foi que eles cometeram ato explícito de deslealdade e traição para com ele, mas advertiu que haverá troco. A decisão do PT nacional praticamente reforçou o isolamento de Ciro Gomes no quadro dos pré-candidatos à presidência da República, mas o ex-ministro garantiu que não vai esmorecer nem sair do páreo.

Apurou-se que as articulações para o isolamento de Ciro Gomes foram disparadas a partir de Curitiba, da cela da Superintendência da Polícia Federal onde está recolhido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que monitora os passos das disputas eleitorais nos diversos Estados. Na última pesquisa do Datafolha, em junho, Ciro Gomes perdeu três pontos na pesquisa estimulada – passou de 10% para 7%. Gomes, cujo desempenho é melhor no Nordeste, seu berço político (ele foi governador do Ceará), também viu as intenções de voto nele envergar nos cenários de segundo turno. De acordo com a pesquisa do Datafolha de junho, o pedetista ganharia de Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro virou o jogo e ficou com a vantagem. Hoje, derrotaria Ciro por 27% a 25% dos votos, conforme o Idea Big Data.

Ciro Gomes vinha cortejando o apoio do PT desde que o ex-presidente Lula passou a cumprir pena de prisão em Curitiba. Mas, além do “pavio curto”, Gomes é conhecido como useiro e vezeiro na arte das diatribes. Já insinuou que Lula só teria chance de sair da cadeia se ele assumisse o poder, ignorando que a decisão de soltura de presos compete ao Judiciário. Depois de ter cometido graves escorregões em outras campanhas eleitorais, Ciro foi aconselhado a se conter na campanha deste ano. E prometeu que faria isso, mas recaiu na falta de controle da língua que, segundo adversários, expõe um perigoso viés autoritário.

Em 2002, então candidato à presidência pelo PPS, Ciro pareceu ter chances de vitória até começar a proferir frases absurdas e bater boca com eleitores e jornalistas. Perdeu-se de vez ao responder que a função de sua mulher à época, a atriz Patrícia Pillar, na campanha, era “dormir com ele”. Para a mídia sulista, Ciro Gomes demonstra completo desconhecimento dos limites do cargo. A sua expectativa de ocupar espaços deixados pela ausência de Lula, em virtude do fato de estar preso, foi duramente golpeada, agora, com a decisão da cúpula nacional do PT de fechar aliança preferencial com o PSB.

 

Os Guedes



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